Projeto pode gerar recursos da ordem de R$ 23,8 bilhões para a saúde pública
A Lei Complementar 181/21 foi sancionada, sem vetos, nesta sexta-feira (7), pelo presidente Jair Bolsonaro. A proposta permite que estados e municípios usem em ações de saúde, neste ano, os saldos de repasses do Ministério da Saúde de anos anteriores.
De acordo com dados do deputado Roberto Alves (Republicanos-SP), que foi relator do projeto na Câmara dos Deputados, a nova lei pode gerar recursos de R$ 23,8 bilhões para a saúde pública, sendo R$ 9,5 bilhões para os estados e o Distrito Federal e R$ 14,3 bilhões para os municípios.
Com o objetivo de direcionar recursos para o atendimento de pessoas vulneráveis, como idosos e população de rua, a Lei também autoriza os entes federados a remanejar saldos de anos anteriores dos fundos de assistência social para ações de minimização da pandemia de Covid-19.
Ação desses profissionais é essencial para educação e promoção da saúde nos municípios
O programa “Saúde com Agente” do Ministério da Saúde oferece cursos técnicos para Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias. A iniciativa foi publicada em chamamento público no Diário Oficial da União. A capacitação vai habilitar os profissionais para que desenvolvam um olhar mais apurado sobre as condições de saúde da comunidade e adquiram habilidades manuais para desempenhar as atividades do dia a dia.
Com duração de 10 meses (1.200 horas), entre aulas presenciais e à distância, os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão interpretar melhor as informações coletadas nas residências e fazer os devidos encaminhamentos.
O presidente da Federação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias, Luis Cláudio, destaca alguns tópicos ensinados nos cursos.
“Serão ensinadas todas as práticas na área de Agente de Saúde e Agente de Endemias. Será lecionado sobre o Programa Nacional de Imunização, no qual os Agentes de Saúde poderão saber sobre a questão da vacinação, inclusive da Covid-19. E como aferir pressão, medir glicemia”, comenta.
Entre as funções do Agente Comunitário de Saúde descritas na Política Nacional de Atenção Básica está: cadastrar pessoas de sua microárea; orientar as famílias quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis; acompanhar, por meio de visita domiciliar, todas os indivíduos sob sua responsabilidade; desenvolver atividade de promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos e de vigilância.
Segundo a pesquisadora Márcia Valéria Morosini, integrante da Comissão de Política, Planejamento e Gestão da Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o principal papel dos Agentes Comunitários de Saúde é de educação e promoção da saúde.
“Sua principal estratégia de atuação é por meio das visitas domiciliares. Ele acompanha crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes, promovendo informações e fazendo encaminhamentos para o serviço de Atenção Básica da região, ou orientando sobre possibilidade de atenção em outros pontos que compõem a rede do SUS”, explica.
Lara Félix de Faria, moradora de Arceburgo, no sul mineiro, conta como a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde é fundamental para a qualidade de vida de seus tios-avós.
“Minha tia-avó tem Alzheimer e não consegue mais andar, e meu tio-avô tem problemas cardíacos. Toda semana vem um agente de Saúde aqui perguntar como eles estão, verificar a pressão, se estão tomando os remédios corretamente. A vacina da Covid-19 foi aplicada em casa. Nós da família temos uma certa tranquilidade com o trabalho deles”, conta.
“No contexto da pandemia de Covid-19, ter esses trabalhadores atuando é fundamental para o desenvolvimento de ações voltadas para identificação e monitoramento de casos e de suspeitos, e para conhecer como está se desenvolvendo essa doença naquele território”, destaca a pesquisadora Márcia Valéria Morosini.
Inscrições
Para aderir ao Programa “Saúde com Agente”, os secretários estaduais e municipais de Saúde devem acessar o sistema egestorab.saude.gov.br até o dia 4 de junho.
O custeio das bolsas e dos recursos didáticos necessários às atividades educacionais será feito por incentivo financeiro do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Os gestores locais precisam disponibilizar local adequado para formação dos agentes dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBS), adquirir o kit de uso individual (boné, mochila impermeável e colete) e o kit satelital para aulas remotas. O repasse será feito em parcela única após a confirmação do número total de adesões, de agentes matriculados e de preceptores.
Os estudos do imunizante visam facilitar a logística de transporte e armazenamento no país, barateando o custo e facilitando o processo de produção
A vacina contra a Covid-19 desenvolvida na Universidade Federal do Paraná (UFPR) pode ser transportada em pó. Os estudos do imunizante visam facilitar a logística de transporte e armazenamento no país, barateando o custo e facilitando o processo de produção. A fase de testes pré-clínicos deve ser finalizada até o final de 2021, confirmando ou não a alternativa de envio.
A tecnologia utilizada na vacina envolve a produção de partículas de um polímero biodegradável, revestidas com partes específicas da proteína Spike, que é responsável pela entrada do vírus nas nossas células. O transporte na forma de pó significa a possibilidade de liofilizar as partículas com a proteína S.
Ainda não foi testado, mas considerando as características do material, as chances de sucesso são muito boas. O professor do departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR, Emanuel Maltempi de Souza, destacou que o Brasil tem tecnologia para desenvolver a nanopartícula. “Montar a nanopartícula também é um processo desenvolvido no laboratório, baseado em dados da literatura, é claro, mas é um processo original de montagem dessa nanopartícula e é bem factível de ser levado para a escala industrial”, disse.
A modalidade de transporte facilitaria na logística por dispensar a necessidade de refrigeração, podendo ser conservada na temperatura ambiente. No entanto, é necessário levar em conta o aumento do custo da liofilização versus o ganho de tempo de prateleira.
Além da tecnologia em nano partículas, a vacina da UFPR tem características multifuncionais, podendo ser recombinada para servir como imunizante para outras doenças, como dengue, Zika, leishmaniose e Chikungunya.
A vacina usa insumos nacionais e tem tecnologia de produção 100% desenvolvida na UFPR, fruto de pesquisas realizadas com biopolímeros biodegradáveis e com partes específicas de proteínas virais. Outro ponto positivo é o custo de produção. De acordo com os pesquisadores, hoje são gastos menos de cinco reais para fabricar cada dose.
Segundo a professora adjunta do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jordana Coelho dos Reis, essa tecnologia é utilizada em outras vacinas que já se encontram no mercado, como a Novavax. “Eles estão utilizando uma estratégia que é baseada em imunizantes de proteínas. Então essas vacinas são extremamente seguras, extremamente imunogênicas”, explicou.
De acordo com a professora, a tecnologia de formulação sólida é utilizada até mesmo em outras vacinas, como a de febre amarela, por exemplo. “Você liofiliza, ou seja, transforma aquilo em uma formulação sólida e obviamente você vai ter uma facilidade no transporte, a logística para entrega desse imunizante mais facilitada sem cadeia fria e sem conservar na geladeira”, disse.
Fase pré-clínica
Para finalizar a fase pré-clínica de testes, a UFPR fechou um acordo com o governo do Paraná. No total, o estado vai repassar R$ 995 mil reais para a universidade, sendo R$ 700 mil para compra de equipamentos e custeio da pesquisa e R$ 295 mil para pagamento de bolsas para pesquisadores em pós-doutorado para viabilizar esta fase. Na sequência, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), iniciam os testes clínicos, quando serão necessários novos parceiros e novos recursos financeiros.
Testes em camundongos revelaram que, após duas doses da vacina, a quantidade de anticorpos produzidos alcançou concentração maior que a da parceria AstraZeneca/Oxford. Porém, para avançar para os testes clínicos, ainda são necessários três ensaios-chave.
O primeiro deles é o de neutralização, em que se busca verificar por quanto tempo o nível de anticorpos permanece alto no organismo dos animais. O ensaio é o de proteção animal, em que se verificará qual é a melhor dose da vacina para proteger o organismo. Para isso, os animais, vacinados ou não, serão expostos ao vírus vivo.
Por fim, o teste toxicológico verificará se diferentes concentrações da vacina poderão trazer efeitos colaterais ao animal de forma global, tais como febre, danos ao sistema hepático ou renal. Só com o ensaio toxicológico concluído é que será possível solicitar à Anvisa a autorização para o início dos ensaios clínicos.
As três vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde possuem diferenças significativas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou um alerta para chamar atenção para as diferenças entre as recomendações de armazenamento, preparo, dose e administração das três vacinas contra a Covid-19 que estão sendo aplicadas no País.
O alerta traz, ainda, recomendações para minimização dos riscos, como treinamento dos profissionais de saúde, dupla-checagem entre eles durante o preparo e a administração da vacina, além da participação ativa do cidadão no processo de vacinação.
A Anvisa reforça que as três vacinas, CoronaVac, do Instituto Butantan, a Astrazeneca, da Fiocruz, e a Pfizer, possuem diferenças significativas que precisam ser seguidas e respeitadas pelos profissionais da saúde e pela população, para evitar riscos de eventos adversos no processo de vacinação.
Para conferir todas as instruções da Anvisa em relação às vacinas, clique aqui.
Empresas apostam em produtos do dia-a-dia capazes de eliminar o vírus da Covid-19 em até 2 minutos. Frota de ônibus de Guarulhos (SP) passa a contar com películas antivirais nas barras e acentos dos 858 transportes que circulam pelo município
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Para a infectologista Ana Helena Germóglio a prioridade dentro do transporte público para que os usuários evitem a contaminação é a ventilação adequada atrelada ao uso correto da máscara de proteção. “De nada vai adiantar promover uma desinfecção de uma superfície ou utilizar alguma tecnologia ultramoderna se não tiver alguma medida para garantir uma boa ventilação do local ou para exigir o uso de máscaras apropriadas. Novamente falamos que são decisões que podem dar uma falsa sensação de segurança”, diz.
A pandemia de coronavírus mudou a forma de viver do mundo inteiro, principalmente no que diz respeito a medidas sanitárias de segurança para evitar contrair a doença. Mas nem sempre o distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos são suficientes para se manter seguro quando o transporte público e hospitais brasileiros estão lotados. Pensando em aumentar a segurança da população, empresas de tecnologia no Brasil desenvolveram produtos para auxiliar no combate ao vírus da Covid-19.
A empresa plástica Extrusa Pack desenvolveu e doou uma película antiviral capaz de eliminar o Sars-CoV-2 para aplicação na frota de transporte público de Guarulhos, em São Paulo. O produto, que passa a ser encontrado nas barras e acentos dos 858 ônibus que circulam pelo município, foi desenvolvido com o aditivo britânico d2pAM, que impede a entrada do vírus na superfície. A película foi testada pelo laboratório da Unicamp, que comprovou a eficácia de 99% também contra bactérias e fungos
O produto mantém a eficácia nos ônibus enquanto o plástico durar, não necessitando de manutenção com álcool, por exemplo. E após o descarte, pode ser direcionado a reciclagem. “Ele é resistente, se colocado produto de limpeza o efeito do antivírus continua sendo eficaz. Só é necessário limpar para remover as sujeiras, como poeira, por exemplo”, explica a gerente comercial da Extrusa Pack, Gisele Barbin.
A companhia doou cerca de R$100 mil em películas e disse que por ter uma unidade localizada em Guarulhos, viu a necessidade de ajudar a população que utiliza o transporte público. “O número de contaminação aqui em São Paulo é muito grande e todos diziam: ‘o restaurante está fechado, mas o ônibus em movimento’. Então, tivemos a ideia de colocar no transporte público, porque já tínhamos o saco para lixo anti-covid, e vimos que dessa forma poderíamos contribuir para a sociedade”, disse Gisele Barbin.
Agora, a empresa pretende colocar o produto em linha comercial para que possa ser adquirido e utilizado em bancos de recepção, táxi e restaurantes, por exemplo.
Prata no combate ao coronavírus
Outros produtos desenvolvidos para combater o vírus da Covid-19 foram o composto químico denominado micropartícula de prata, que pode ser incorporado a roupas e máscaras de proteção e o plástico polietileno. Os dois possuem 99,9% de eficiência e capacidade de eliminar o vírus entre 2 e 5 minutos. As criações foram feitas pela empresa Nanox e possuem eficácia comprovada pela Quasar Bio, instituição ligada à Universidade de São Paulo (USP).
Os dois produtos têm como base a prata e são incorporados em diversos utensílios que já se encontram no mercado como embalagens, plásticos, tecidos, tintas, verniz, pisos e louças. O plástico polietileno pode ser usado também nos ares-condicionados de carros e ônibus. Já o plástico adesivo nos botões dos elevadores, corrimão de escola, máquina de cartão, carrinho de supermercado e mesas, por exemplo.
No caso dos tecidos, a propriedade bactericida foi desenvolvida para ter durabilidade nas lavagens, mas nenhum dos itens produzidos são soluções contra o coronavírus. “Não estamos prescrevendo o produto como solução, é um agregado à campanha de vacinação e distanciamento social, uso de máscara. É um adicional de segurança para não levar o vírus para dentro de casa e ter menos circulação”, destaca o diretor e co-fundador da Nanox, Daniel Minozzi.
Minozzi explica também como a prata funciona nos produtos de combate ao Sars-Cov-2. “Ela funciona como um mecanismo de ação de eliminação do microrganismo onde ocorre algo parecido com choque elétrico, que é uma troca de elétrons do elemento prata, como se fosse uma pilha. Quando o Sars-Cov-2 entra em contato com a superfície de micropartículas de prata tem-se uma inativação da membrana que envolve o RNA do vírus e então ele fica inativo e não consegue entrar no organismo.”
Autorização começa a valer hoje e o profissional precisa estar inscrito no conselho regional de farmácia
Foi publicada nesta terça-feira (4), no Diário Oficial da União, resolução que permite que farmacêuticos possam participar da campanha de vacinação contra a Covid-19, realizada por instituições públicas ou privadas, aplicando a vacina.
A resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) entrou em vigor hoje e levou em consideração a emergência na saúde pública, o pedido da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que os países redobrem o comprometimento contra a pandemia e a necessidade de ampliação de postos de vacinação contra a Covid-19 em todos os municípios do País.
O farmacêutico precisa estar inscrito no Conselho Regional de Farmácia e ter habilidade em aplicação de injetáveis para participar da campanha de vacinação.
O Brasil chegou à marca de 90% de pacientes recuperados após terem sido infectados pela Covid-19. Até o momento foram registrados 13.278.718 milhões de pessoas curadas da doença, enquanto o número de pacientes em acompanhamento médico está em pouco mais de 1.060.000. As informações foram atualizadas pelo Ministério da Saúde às 17h desse domingo (02), a partir de dados enviados pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde.
Apesar disso, o Brasil ainda possui números alarmantes relacionados ao coronavírus, pois até agora são 407.639 mortes em decorrência da doença. Nas últimas 24h, foram registrados 1.202 óbitos nos sistemas oficiais, sendo que 778 ocorreram nos últimos três dias – outros 3.643 permanecem em investigação. Além disso, no total, o país registrou 14.754.910 milhões de casos confirmados da Covid-19, sendo 28.935 registrados nos sistemas nacionais nas últimas 24h.
São Paulo é o estado com maior quantidade de pessoas doentes e mortes, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul, enquanto isso, Roraima, Amapá e Acre seguem como os estados com os menores números de pacientes e óbitos no país.